quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Quando o relâmpago é meu

Relampejava. Lá fora, em algum lugar, estava a origem dos meus pensamentos. O que me causava problemas e o que me dava soluções. Meu início e meu fim. Meu despertar e adormecer. Como se apegar a alguém tão inconstante? Melodramas à parte, eu estava conectada por muito mais do que um feixe de luz vindo do céu. A luz vinha dele.
Desde pequena, sinto pavor da escuridão. Na pior das hipóteses, faltava o ar. Na melhor, me agarrava ao corpo mais próximo. Hoje, as coisas não mudaram muito. Ansiando por uma luz que pode me cegar, me agarro – não a você, mas ao que te lembra, ou ao que te alude. Fotos, vídeos, tiques, manias; sorrisos que encontro por aí, olhos que me despem e me devoram – mas nada que se compare a você.
Paixão – relâmpago – não foi embora ainda, mas veio rápido. Foi certeira, implacável. Isso que você é. Enquanto uns insistiram em ser meros chuviscos e rajadas de vento, você veio, escolheu seu alvo – raio -  e me alastrou como ninguém. Em mim, elucidou minhas certezas e me confundiu; bateu na porta, mas não abriu. És assim, um poço de inconstância. Nessa corda bamba, eu prefiro ficar sem saber se cairei; vou me equilibrando em meio ao suor frio e tremores. O mesmo que provoca quando ouço sua voz.

Te quero por inteiro. Estômago, coração, boca – tudo fala por mim. Menos eu. Ainda não disse. Sua luz me cegou e me impediu de me aproximar. Tu, que agora me arrebata. Tu, sempre vasto de céu e eu à espera de mais uma chuva, de mais um tempo frio. Faz de mim seu destino, anuncia-se, que te espero, te fito, te aguardo. 

17/12/2014

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